Escassez de divisas sufoca empresas e afecta o sector da saúde em Moçambique
A persistente escassez de divisas no mercado nacional está a provocar perturbações profundas na economia de Moçambique, afectando o comércio internacional, o ecossistema empresarial e o funcionamento do sector da saúde.
Uma investigação recente da sociedade civil revelou uma forte pressão sobre a moeda nacional, o metical, aliada à expansão de mercados paralelos e ao recurso a esquemas informais para assegurar pagamentos no estrangeiro. Diante das restrições e da morosidade da banca formal na cedência de moeda estrangeira, comerciantes e importadores têm utilizado métodos alternativos, como a utilização de múltiplos cartões bancários de terceiros para efectuar compras na África do Sul e na China.
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Em paralelo, redes informais de câmbio adaptaram-se e cobram comissões elevadas para liquidar facturas externas em poucos minutos, recorrendo a parcerias internacionais e a práticas de agiotagem que encarecem os custos de operação do comércio local.
O impacto da crise é visível nos cuidados de saúde públicos. Diversas unidades sanitárias do país enfrentam roturas graves no fornecimento de reagentes para exames laboratoriais básicos, falta de material de protecção individual e escassez de bolsas de sangue, situação que força os profissionais a improvisar na gestão do atendimento diário.
No sector produtivo, associações empresariais relatam o encerramento de centenas de pequenas e médias empresas e a perda de postos de trabalho devido à incapacidade de honrar compromissos com fornecedores internacionais, dada a demora de vários meses na aprovação de transferências bancárias.
Embora o Banco de Moçambique continue a minimizar a dimensão do mercado informal e a defender a estabilidade das reservas cambiais, economistas e gestores operacionais alertam para os riscos crescentes de desvalorização e para a necessidade urgente de soluções que aliviem a pressão sobre os agentes económicos e a população.
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