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Cortes de ajuda dos EUA deixam 77 mil crianças sem tratamento de VIH

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Saúde
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Um novo estudo científico revela que cerca de 77 mil crianças em todo o mundo deixaram de receber tratamento de VIH financiado pelos Estados Unidos. Esta redução drástica ocorreu no ano fiscal que terminou em Outubro de 2025. Os investigadores associam directamente esta quebra aos cortes e alterações na política de ajuda externa da administração norte-americana.

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Embora os dados sejam alarmantes, os autores do relatório sublinham que o foco incide apenas nos programas financiados por Washington. Consequentemente, existe a possibilidade de algumas crianças terem transitado para cuidados assegurados por governos locais ou por outros parceiros internacionais.

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Impacto severo na pediatria global

A análise detalhada indica uma redução anual de aproximadamente 14% na assistência pediátrica norte-americana contra o vírus. Contudo, os cientistas alertam para a necessidade de dados mais específicos por país. Apenas assim será possível avaliar a real dimensão deste impacto no terreno.

Durante uma conferência internacional sobre a saúde realizada no Rio de Janeiro, os especialistas manifestaram grande preocupação com o cenário. Um dos co-autores do estudo, docente de Saúde Global, enfatizou que estes indicadores funcionam como um sinal de alerta urgente. Segundo o especialista, as crianças não podem esperar por soluções demoradas.

Contestação e justificações oficiais

Por outro lado, as autoridades governamentais dos Estados Unidos contestaram publicamente as conclusões apresentadas. O organismo responsável pelos negócios estrangeiros alegou que a metodologia do estudo possui limitações técnicas significativas.

Além disso, a mesma entidade governamental explicou que a redução de pacientes pediátricos reflecte factores positivos. Entre eles, destacam a diminuição global de novas infecções em menores. Além disso, existe uma tendência de queda que já se regista há quatro anos.

Países africanos enfrentam maiores reduções

Apesar destas justificações, os investigadores insistem que a quebra recente ultrapassa largamente a tendência histórica. Esta realidade afecta de forma severa países como o Uganda, Haiti, Zâmbia, Quénia e a África do Sul.

A pesquisa analisou o desempenho do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da SIDA (PEPFAR). Os resultados demonstram que houve retrocessos no apoio em 20 dos 21 países avaliados. Estima-se que 55 mil crianças perderam o chamado suporte central.

A África do Sul lidera as estatísticas de perda de apoio com uma quebra de 45%, afectando 30 mil crianças. O governo sul-africano já financia grande parte do seu combate à epidemia. Por essa razão, os doadores decidiram cessar o financiamento directo neste território. Outros países como o Zimbabué, o Quénia e o Maláui também enfrentam cortes severos.

Dificuldades no terreno comunitário

Ativistas locais de saúde no Quénia confirmam que a redução de verbas prejudica gravemente o acompanhamento diário das comunidades. Os cortes financeiros ditaram o fim de vários grupos de apoio comunitário. Adicionalmente, exames médicos que antes eram gratuitos passaram a ser cobrados às famílias.

O governo queniano reforçou recentemente a sua resposta interna para mitigar a crise. No entanto, os líderes comunitários alertam que as redes de segurança locais ainda não foram totalmente restabelecidas. Esta situação deixa muitas crianças vulneráveis sem o devido acompanhamento médico.

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