Domingo, 21 de Junho de 2026 | Maputo, Moçambique
Repórter Nacional
Directo

Confronto em Tete: PRM confirma duas mortes em tumultos

Imagem: DR | Denúncias via WhatsApp: 821701000 / 871701000
Exclusivo

O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Tete confirmou, esta quarta-feira, a ocorrência de dois óbitos e um ferido grave na sequência de violentos confrontos entre forças da ordem e operadores de mototáxi. O incidente, que paralisou pontos vitais da capital provincial, levanta questões críticas sobre a gestão de operações de fiscalização e a segurança pública. Para acompanhar a actualidade do País enquanto explora novas formas de entretenimento e análise desportiva, clique aqui, registe-se e descubra as opções disponíveis para apostar nos seus desportistas favoritos hoje mesmo.

A tensão que culminou na tragédia teve início na última terça-feira, 16 de Junho, com o arranque de uma campanha multissectorial de fiscalização de motociclos. A operação, que visava regularizar o sector, encontrou uma resistência inesperada por parte dos operadores, que reagiram montando barricadas e bloqueando artérias fundamentais, incluindo a Estrada Nacional número 7 (EN7), nos bairros Samora Machel, Matundo e na zona da báscula.

A versão policial: Disparos “fortuitos” e tentativa de roubo de arma

O porta-voz da PRM em Tete, em declarações à comunicação social, apresentou a versão das autoridades sobre o desfecho fatal. Segundo a corporação, os manifestantes recorreram a violência extrema, utilizando pedregulhos, troncos e pneus em combustão para hostilizar os agentes e vandalizar bens públicos e privados, incluindo um camião de recolha de lixo do Conselho Municipal da Cidade de Tete.

Um dos momentos mais críticos do relato policial descreve uma tentativa de um grupo de manifestantes de se apoderar de uma arma de fogo do tipo AK-47, munida de 30 munições, que estava na posse de um agente em serviço. Embora o armamento tenha chegado a ser subtraído, foi recuperado momentos depois após uma perseguição, tendo sido abandonado pelos suspeitos. A PRM alega que, perante o risco, as forças de segurança recorreram a armas de dispersão e disparos para o ar.

“Foram vítimas que ocorreram de forma fortuita, de forma acidental, sem qualquer intenção por parte dos agentes da lei e ordem”, afirmou o porta-voz, sustentando que os disparos não foram direcionados aos cidadãos, mas sim uma medida desesperada para “amainar os ânimos” da multidão revoltada.

Balanço operacional e judicial

Para além das perdas humanas, a operação saldou-se em resultados operacionais significativos no que toca à fiscalização. O balanço das autoridades aponta para:

  • Apreensões: 69 motociclos foram recolhidos por diversas irregularidades administrativas.
  • Detenções: Sete indivíduos foram identificados como os supostos líderes (“cabeças-de-casal”) das ações de subversão e motim.
  • Responsabilização: Os detidos foram encaminhados ao Ministério Público para a devida responsabilização judicial.

Apoio social e pacificação

Face ao desfecho trágico, o Comando Provincial de Tete informou que a Direcção da Doutrina e Ética Policial já iniciou contactos diretos com as famílias das vítimas mortais e do cidadão ferido, que permanece sob cuidados médicos no Hospital Provincial de Tete. O objetivo é viabilizar o apoio social necessário a estas famílias num momento de profunda dor.

A ordem pública foi formalmente reposta por volta das 10 horas e 20 minutos de quarta-feira, após a remoção dos obstáculos e dos pneus inflamados que obstruíam a EN7. Contudo, o clima de desconfiança permanece. A sociedade civil de Tete aguarda agora por desenvolvimentos sobre as circunstâncias exactas destas mortes, num caso que certamente continuará a ser escrutinado pelas entidades competentes e pela opinião pública.

O Repórter Nacional continuará a acompanhar o desenrolar deste processo e o impacto das medidas judiciais sobre os detidos e as famílias das vítimas.

Deixe a sua opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *