Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Chefes de localidade de Cabo Delgado exigem maior inclusão nos megaprojectos de gás

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Os representantes comunitários da província de Cabo Delgado manifestaram insatisfação com a falta de oportunidades nos grandes empreendimentos extrativos. A contestação ocorreu durante a primeira Reunião Nacional dos Chefes de Localidade, realizada na cidade de Maputo.

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Na ocasião, os líderes de distritos fortemente impactados pela instabilidade e pelos investimentos energéticos expuseram as suas preocupações. O grupo apontou barreiras no acesso ao emprego, além de graves prejuízos na economia familiar.

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Polémica sobre a formação profissional

A insatisfação aumentou após a decisão de transferir a capacitação técnica de jovens para o sul do país. O programa decorre no Instituto Industrial e Comercial da Matola, no âmbito de acordos com a multinacional TotalEnergies.

De acordo com o Governo, a escolha da Matola responde a critérios técnicos rigorosos. A instituição dispõe de oficinas e laboratórios operacionais ajustados aos padrões internacionais do sector do gás natural.

No entanto, empresários, membros da sociedade civil e comunidades locais contestam esta opção. As lideranças locais exigem que o investimento em infra-estruturas e a formação ocorram no território onde o recurso é extraído.

Desafios específicos nos distritos

No distrito de Palma, a população enfrenta grandes dificuldades económicas. O alojamento de trabalhadores em acampamentos corporativos provocou a queda drástica nos rendimentos do arrendamento habitacional.

Por conseguinte, as famílias pedem o regresso às zonas de origem e o envolvimento directo no comércio local. Além disso, a juventude continua a procurar acesso ao mercado de trabalho.

Em Mueda, as populações tentam reconstruir a agricultura de subsistência. A destruição das culturas de mandioca e coco, somada à escassez de transporte, impede o escoamento da produção.

Por outro lado, o distrito de Metuge acolhe milhares de famílias deslocadas. Embora a assistência humanitária ajude a estabilizar a situação, a pressão social sobre a região ainda exige intervenções estruturais de longo prazo.

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