Os constantes ataques armados dirigidos contra alvos civis no oeste de Myanmar continuam a inviabilizar o regresso seguro da minoria muçulmana rohingya que se encontra abrigada no vizinho Bangladesh. O alerta foi emitido pelo Mecanismo Independente de Investigação da ONU, após a conclusão de uma missão oficial de averiguação.
O ambiente de insegurança agravou-se recentemente após um bombardeamento aéreo contra uma praça de mercado no estado de Rakhine, episódio que resultou em pelo menos 50 mortos e 58 feridos graves. A autoria do bombardeamento foi atribuída ao exército birmanês pelo grupo rebelde Exército de Arakan, numa altura em que os confrontos entre ambas as partes intensificam a pressão sobre a população local.
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Nicholas Koumjian, líder da equipa de investigação internacional, realizou uma visita de seis dias aos campos de acolhimento no Bangladesh, onde colheu depoimentos directos de sobreviventes. Apenas desde o arranque de 2024, mais de 154 mil elementos da comunidade rohingya foram forçados a atravessar a fronteira para escapar às hostilidades armadas.
Actualmente, o complexo de Cox’s Bazar alberga mais de 1,2 milhões de indivíduos desta etnia, tornando-se a maior concentração de refugiados a nível global. A grande maioria deste contingente permanece deslocada desde a ofensiva militar de Agosto de 2017, classificada por entidades internacionais como uma campanha de limpeza étnica.
Os dados recolhidos pelo mecanismo criado em 2018 estão a ser partilhados com o Tribunal Penal Internacional e com a justiça argentina — esta última ao abrigo do princípio da jurisdição universal — no quadro dos processos que investigam a prática de genocídio contra a minoria rohingya, a qual continua desprovida de reconhecimento oficial e sujeita a fortes restrições de mobilidade em território birmanês.
