O Governo do Ruanda sinalizou que poderá retirar as suas forças militares da província de Cabo Delgado, caso não seja garantido um financiamento externo previsível e adequado. A permanência das tropas do Ruanda em Cabo Delgado, que tem sido crucial para travar a insurgência terrorista desde 2021, está agora sob pressão devido ao fim do apoio financeiro da União Europeia (UE).
O Impasse Financeiro com a União Europeia
De acordo com informações recentes, o financiamento da UE para esta missão termina já em Maio de 2026, sem que existam planos concretos para a sua renovação. Atualmente, o Ruanda recebeu cerca de 20 milhões de euros da UE, um valor que a porta-voz do governo ruandês, Yolande Makolo, classificou como uma “fracção” do custo total da missão. No entanto, o custo real para os cofres de Kigali terá sido dez vezes superior a esse montante.
Por um lado, a missão das tropas do Ruanda em Cabo Delgado permitiu estabilizar áreas críticas, incluindo o local de construção do projecto de gás natural da TotalEnergies em Afungi. Por outro lado, o Ruanda afirma que a sustentabilidade desta cooperação bilateral depende de o trabalho ser devidamente valorizado e financiado pelos parceiros internacionais. Consequentemente, a incerteza sobre os fundos coloca em risco a segurança da região.
Impacto nos Projectos de Gás Natural
A possível saída das forças ruandesas surge num momento delicado para a economia de Moçambique. Recentemente, a TotalEnergies e o Governo moçambicano concordaram em retomar os trabalhos no projecto de 20 mil milhões de dólares, que estava parado desde 2021. Portanto, a protecção destes investimentos estratégicos na província de Cabo Delgado depende directamente da manutenção do cordão de segurança estabelecido pelas tropas estrangeiras.
Além disso, embora a insurgência islâmica esteja enfraquecida, os ataques esporádicos continuam a ser uma ameaça real para as comunidades locais. Se as tropas do Ruanda em Cabo Delgado abandonarem as suas posições sem uma força de substituição à altura, existe o receio de que os insurgentes possam recuperar território e paralisar novamente o desenvolvimento económico do norte do país.
Diplomacia ao Mais Alto Nível
Em suma, a questão do financiamento militar será um dos temas centrais da agenda do Presidente Daniel Chapo nos seus próximos encontros em Bruxelas. É necessário encontrar uma solução que garanta a continuidade das operações de contra-terrorismo em Cabo Delgado. Sem segurança previsível, os grandes investimentos internacionais e a paz das populações locais continuarão reféns da falta de verbas externas.
O Radar News (RN) continuará a acompanhar os desenvolvimentos diplomáticos entre Maputo, Kigali e Bruxelas. A estabilidade de Moçambique depende agora da capacidade de mobilizar os recursos necessários para manter as frentes de combate activas.

