Moçambique deve adoptar um mecanismo de prevenção mais robusto contra choques climáticos e abandonar a postura de agir apenas após a ocorrência de emergências. O reorientamento estratégico foi defendido na província de Sofala pela ministra das Finanças, Carla Louveira, durante a abertura do segundo Conselho Coordenador do sector que lidera.
Durante a sua intervenção, que serviu também para fazer o balanço da última época chuvosa e ciclónica, a governante sublinhou a necessidade de alterar a forma como o país gere os eventos meteorológicos extremos, historicamente caracterizados por destruições e custos financeiros elevados.
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Dados apresentados pela titular das Finanças indicam que, entre Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, o país registou as inundações mais severas da última década. As intempéries resultaram em mais de 100 óbitos e afectaram cerca de 724 mil pessoas, das quais 691 mil de forma directa, tendo ainda provocado a destruição de mais de 30 mil habitações.
No cômputo geral da época chuvosa 2025-2026, mais de um milhão de pessoas foram afectadas, com um impacto económico estimado em cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Perante estes indicadores, a ministra ressaltou que o fenómeno climático deixou de ser uma emergência humanitária pontual para se converter num choque fiscal de natureza estrutural.
A governante enfatizou a urgência de realizar investimentos em infra-estruturas mais resilientes, indicando que o conceito deve traduzir-se em escolas mais seguras, vias de rodagem preparadas para intempéries e comunidades melhor protegidas, evitando a aplicação constante de fundos nas mesmas áreas danificadas.
No plano internacional, Carla Louveira alertou para o agravamento do conflito no Médio Oriente e as suas repercussões nas cadeias globais de fornecimento de energia. Devido à dependência de Moçambique na importação de combustíveis líquidos, o cenário internacional representa riscos acrescidos de pressão sobre os preços internos, volatilidade na disponibilidade de divisas e incertezas na programação do orçamento estatal.
Para responder a estes desafios, a ministra apontou que a acção governamental deve concentrar-se numa gestão de tesouraria eficiente para salvaguardar as famílias e o sector produtivo. O Conselho Coordenador do Ministério das Finanças decorre focado na sustentabilidade e digitalização das Finanças Públicas para a transformação económica do país.




