Poluição marinha reduz captura de peixe e agrava crise dos pescadores em Maputo
A crescente acumulação de resíduos plásticos e lixo doméstico no ecossistema marinho está a colocar em risco a biodiversidade e a degradar a qualidade da água na cidade de Maputo. O cenário tem gerado graves prejuízos directos à pesca artesanal, reduzindo a captura de pescado e elevando as dificuldades operacionais das comunidades pesqueiras.
Investigadores nacionais e internacionais alertam para a urgência de uma mudança de comportamento perante o descarte inadequado de resíduos sólidos, acentuando os riscos contínuos para a saúde pública e a sustentabilidade ambiental. Nas zonas costeiras, como a praia da Costa do Sol e as proximidades da Ilha da Inhaca, os trabalhadores do sector relatam uma diminuição acentuada na quantidade de pescado capturado nos últimos anos.
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Pescadores locais indicam que a poluição marinha e as alterações climáticas têm forçado a navegação para zonas de alto-mar na tentativa de encontrar recursos marinhos. O pescador Maurício Cumbane, com quase quatro décadas de experiência no sector, relata que espécies como a magumba e o camarão escasseiam nas áreas habituais, onde as redes recolhem frequentemente maior volume de resíduos descartáveis do que peixe.
A ausência de infraestruturas adequadas para o depósito de lixo nas praias agrava o problema, resultando na permanência de resíduos no mar e no abandono de áreas tradicionais de pesca, onde a elevada concentração de entulho impede o lançamento das redes. A situação suscita apreensão quanto à sustentabilidade socioeconómica das comunidades que dependem do mar para a sua subsistência.
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