Sociedade

Eventos climáticos aumentam tensões entre deslocados e comunidades anfitriãs em Moçambique

PUBLICADO A 27 DE AGO, 2026 | POR CHIPINDO
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Os eventos climáticos extremos, como cheias, secas e ciclones, estão a aprofundar as vulnerabilidades sociais e a aumentar as tensões entre deslocados internos e comunidades anfitriãs em Moçambique, aponta um estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Intitulado “Alterações Climáticas, Deslocação e Coesão Social”, o relatório divulgado pela imprensa indica que os fenómenos meteorológicos adversos não apenas forçam o abandono de lares, mas também alteram significativamente as relações sociais em áreas habitadas por populações vulneráveis.

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A investigação foi realizada nas províncias de Cabo Delgado, no norte do país, e Manica, no centro. O levantamento procurou avaliar o impacto dos desastres naturais tanto em famílias que fugiram do conflito armado no norte quanto naquelas afectadas pela seca prolongada no centro moçambicano.

De acordo com a OIM, a falta de conhecimento sobre o meio local, a escassez de redes de apoio social e a limitação de meios alternativos de subsistência reduzem a capacidade de resposta dos deslocados perante novos desastres naturais, aumentando a sua exposição aos riscos.

Por outro lado, as comunidades receptoras tendem a encarar a chegada de novos residentes como um elemento de pressão adicional sobre recursos naturais e infraestruturas já escassos. Em Cabo Delgado, a destruição de mercados, escolas e infraestruturas por ciclones reduziu os espaços de convivência e cooperação. Em Manica, a seca intensificou as disputas pela posse da terra e pelo acesso à água.

O documento alerta ainda que a percepção de desigualdade na distribuição da assistência humanitária pode acentuar os atritos interpessoais. A organização sublinha que, sem investimentos focados na adaptação às alterações climáticas e no maneio ambiental, o risco de instabilidade social poderá aumentar nos próximos anos.

Desde Outubro de 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta acções de grupos armados que já provocaram mais de 6.600 mortes. Moçambique permanece posicionado entre os países mais expostos aos impactos dos eventos climáticos extremos na região.

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