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Sociedade

Estudo indica que 100 Meticais não garantem nutrição adequada em Moçambique

PUBLICADO A 18 DE AGO, 2026 | POR CHIPINDO
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Um estudo do Observatório do Meio Rural (OMR), da autoria do economista Yasser Arafat Dadá, indica que o montante de 100 Meticais pode ajudar a evitar a fome imediata, mas não garante uma nutrição adequada às famílias moçambicanas. Intitulada “Os 100 Meticais e a mulher rural moçambicana: comer para não morrer de fome ou comer para ter nutrição adequada”, a pesquisa adverte que a capacidade de gestão de recursos escassos não deve ser confundida com o acesso real a uma dieta equilibrada.

A análise surge na sequência de declarações do Presidente da República, Daniel Chapo, segundo as quais uma mulher conseguiria preparar três refeições diárias com 100,00 Meticais. Em sede de esclarecimentos posteriores, o Chefe de Estado explicou que se referia especificamente à mulher do meio rural que já dispõe de produtos de subsistência no celeiro — como milho, batata-doce, mandioca, arroz e feijão —, utilizando aquele montante essencialmente para adquirir complementos como óleo e sal.

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Segundo dados avançados pelo OMR, cerca de 94% da população moçambicana não tinha condições financeiras para custear uma dieta saudável até 2022, a proporção mais elevada registada na região da África Oriental. O relatório fundamenta que os alimentos com maior densidade nutricional apresentam preços substancialmente mais elevados por caloria em comparação com produtos de menor qualidade alimentícia ou ultraprocessados.

A investigação ressalta ainda os sérios impactos dos défices alimentares no desenvolvimento do país. Actualmente, 37% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica, registando-se a maior prevalência nas províncias de Nampula (47%), Cabo Delgado (45%) e Zambézia (44%). Paralelamente, 72,9% das crianças entre os seis e os 59 meses apresentam quadros de anemia, o que compromete o desenvolvimento do capital humano a longo prazo.

Diante deste cenário, o estudo defende que o custo de uma alimentação nutricionalmente adequada deve ser devidamente considerado na fixação do salário mínimo, nas políticas de protecção social e no apoio à produção agrária diversificada no país.

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