Os funcionários do Conselho Municipal e da Assembleia Municipal de Mocímboa da Praia interromperam, na manhã desta quarta-feira (20), as actividades e encerraram as portas das instituições em protesto contra atrasos prolongados no pagamento de salários.
Além da paralisação dos serviços, trabalhadores colocaram barricadas em algumas vias de acesso da vila, provocando constrangimentos na circulação. Segundo relatos recolhidos no local, o ambiente foi marcado por forte tensão e manifestações de descontentamento.
Informações obtidas junto de funcionários indicam que alguns trabalhadores enfrentam atrasos salariais de aproximadamente sete meses, enquanto outros afirmam acumular mais de 11 meses sem receber os seus vencimentos.
Um funcionário ligado à autarquia confirmou a interrupção total dos serviços durante o protesto.
“As portas foram encerradas e os trabalhadores decidiram bloquear algumas estradas. Durante algum tempo ninguém esteve a trabalhar”, relatou.
Fontes ligadas ao processo revelaram ainda que recentemente foi efectuado o pagamento de apenas parte dos salários em atraso. Entretanto, o processo terá gerado descontentamento interno devido a alegadas diferenças nos critérios usados na distribuição dos valores.
Há relatos de trabalhadores que receberam três meses completos, outros apenas um ou dois meses, enquanto alguns afirmam não ter recebido qualquer pagamento.
Após algum período de bloqueio, membros da Polícia da República de Moçambique (PRM), liderados pelo comandante local, deslocaram-se ao local e removeram as barricadas, permitindo a retoma parcial da circulação rodoviária.
Entretanto, está previsto para esta quinta-feira (21) um encontro entre representantes dos trabalhadores e o administrador distrital de Mocímboa da Praia, com o objectivo de procurar soluções para a crise salarial.
Até ao momento, a direcção do Conselho Municipal ainda não se pronunciou oficialmente sobre os protestos.
Mocímboa da Praia, localizado na província de Cabo Delgado, continua entre os distritos mais afectados pelos impactos da violência armada no norte do país. Apesar dos esforços de recuperação e reconstrução, persistem desafios administrativos e económicos que continuam a afectar o funcionamento de vários sectores.