O Reino de Eswatini (antiga Suazilândia) juntou-se esta quarta-feira (18 de Março) a um grupo restrito de nações ao lançar oficialmente o Lenacapavir, um novo e revolucionário fármaco destinado à prevenção do VIH. O anúncio confirma que cerca de 2.000 cidadãos já receberam a dose inicial desde Dezembro, numa fase de introdução bem-sucedida.
Desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, o Lenacapavir diferencia-se dos métodos tradicionais por ser uma injecção subcutânea administrada apenas duas vezes por ano. Esta inovação visa superar os desafios dos comprimidos diários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), como o esquecimento ou a interrupção do tratamento por falta de stock pessoal.
Alta adesão e expansão da rede de saúde
De acordo com Sindy Matse, gestora do Programa Nacional contra o SIDA em Eswatini, a receptividade da população tem sido surpreendente. “As pessoas têm sido muito receptivas”, afirmou Matse à Reuters, revelando que a elevada procura quase esgotou o stock inicial disponível no país.
O objectivo das autoridades de saúde é expandir a disponibilidade do injectável para todas as 206 unidades sanitárias que já oferecem serviços de PrEP, garantindo uma cobertura nacional e acessível a quem mais necessita.
Eswatini: Um exemplo no combate à epidemia
Eswatini continua a ser um dos países com maior prevalência de VIH no mundo, afectando cerca de um quarto da população entre os 15 e os 49 anos. No entanto, o reino tem registado progressos notáveis:
- Redução de Infecções: Entre 2010 e 2024, o número de novas infecções anuais caiu de 14.000 para cerca de 4.000.
- Liderança Regional: Além dos Estados Unidos, apenas sete países africanos com altas taxas de prevalência introduziram este medicamento até ao momento.
A introdução do Lenacapavir é vista como uma ferramenta decisiva para alcançar as metas globais de erradicação da epidemia até 2030, oferecendo uma alternativa discreta, eficaz e de longa duração para os grupos de maior risco.
O Radar News continuará a acompanhar o impacto desta tecnologia de saúde na região da África Austral.
Fonte: rn.co.mz / Radar News