O Banco Mundial está a colaborar estreitamente com o Governo de Moçambique para enfrentar os crescentes desafios da dívida pública, que atingiu 91% do PIB no final de 2025. A instituição internacional estuda “todas as opções” para estabilizar as finanças do país, num momento em que os custos de endividamento dispararam devido à instabilidade geopolítica global.
Fily Sissoko, director regional do Banco Mundial para Moçambique, revelou que uma análise de sustentabilidade da dívida, elaborada em conjunto com o Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmou que o actual nível de endividamento é insustentável. O país enfrenta pressões combinadas de fraco crescimento económico e choques climáticos recorrentes.
Pacote de Financiamento de 10 Mil Milhões de Dólares
Para mitigar a crise, o Banco Mundial está a preparar um envelope financeiro robusto para os próximos cinco anos:
- 6 mil milhões de dólares: Em financiamento maioritariamente concessional (com juros baixos).
- 4 mil milhões de dólares: Em investimento do sector privado, mobilizados através do IFC (Braço para o sector privado) e do MIGA (Agência de garantia de investimentos).
Este apoio surge num cenário em que o spread soberano de Moçambique ultrapassou a barreira dos 1.000 pontos base, sinalizando um estado de “stress” financeiro nos mercados internacionais, influenciado também pelo conflito no Médio Oriente.
O Peso do GNL e a Reestruturação da Dívida
As esperanças de recuperação económica residem, em grande parte, na retoma dos grandes projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL). Com a escalada dos preços globais de energia devido à guerra entre EUA/Israel e o Irão, Moçambique tem o potencial de se tornar um dos maiores produtores mundiais de GNL.
O Presidente Daniel Chapo já sinalizou, em Janeiro, a necessidade de renegociar os termos com os credores internacionais, incluindo a única emissão de eurobonds de 900 milhões de dólares do país. O objectivo é alcançar um plano macro-fiscal de três a cinco anos que traga previsibilidade aos investidores.
Desafios Estruturais e Dívidas em Atraso
O relatório do Banco Mundial aponta que Moçambique acumulou atrasos no serviço da dívida externa e interna equivalentes a 1,3% do PIB até ao final de 2025. Entre os credores com pagamentos em falta figuram países como China, Índia e Arábia Saudita.
Fily Sissoko destacou que a solução passa por reformas estruturais profundas, como a melhoria na colecta de receitas e a eficiência fiscal, além da criação de um Fundo Soberano para gerir de forma transparente as futuras receitas do gás.
O Radar News continuará a acompanhar as negociações entre o Governo e os parceiros internacionais para garantir a estabilidade económica de Moçambique.
Fonte: rn.co.mz / Radar News

