A tensão social subiu de tom na província de Gaza. Desde a tarde desta segunda-feira (16 de Março), mais de 1.500 vítimas das recentes inundações concentraram-se defronte da sede do governo do distrito de Chongoene. O protesto visa denunciar a exclusão sistemática de centenas de famílias das listas de assistência e alegados esquemas de corrupção na distribuição de ajuda humanitária.
Os manifestantes, que perderam habitações e meios de subsistência para as águas, alegam que o processo de apoio está a ser manchado por práticas de clientelismo e desvio de bens de primeira necessidade. Segundo as denúncias, as doações destinadas aos mais vulneráveis estariam a ser entregues a pessoas que não foram afectadas, enquanto as verdadeiras vítimas são ignoradas.
Relatos de exclusão e fome
A indignação é visível entre as centenas de mulheres e homens que pernoitaram ao relento no recinto governamental. “Estamos aqui desde as seis da manhã. Dizem que os nossos nomes não constam nas listas, mas nós fomos recenseados. Saímos de casa sem nada no estômago e deixámos os nossos filhos com fome”, relatou uma das manifestantes, visivelmente emocionada.
Muitos cidadãos relataram ter gasto os seus últimos recursos em transporte para chegar ao centro de distribuição, apenas para serem informados de que não teriam direito aos kits de sobrevivência. O sentimento de injustiça é agravado por relatos de cobranças ilícitas para a inclusão de nomes nos cadernos de beneficiários.
Silêncio das autoridades agrava os ânimos
Até ao momento, a administração do distrito de Chongoene tem optado pelo silêncio ou por respostas evasivas, o que tem contribuído para o escalar da revolta popular. A população exige medidas imediatas, nomeadamente:
- Revisão transparente das listas: Verificação rigorosa de quem foi realmente afectado pelas cheias.
- Investigação de desvios: Identificação e responsabilização de quem está a lucrar com a ajuda humanitária.
- Entrega urgente: Distribuição imediata de alimentos e kits de abrigo para as famílias que permanecem sem assistência.
Este incidente coloca em evidência a fragilidade logística e ética na gestão de crises em Gaza, uma das províncias mais fustigadas pelas intempéries deste ano. A desconfiança nas instituições locais cresce à medida que a ajuda tarda em chegar a quem tudo perdeu.
O Radar News continuará a acompanhar o desenrolar deste protesto e aguarda um posicionamento oficial das autoridades de Chongoene.
Fonte: rn.co.mz / Radar News