O conflito no Médio Oriente atingiu um ponto de não retorno esta terça-feira (17 de Março). O novo Líder Supremo do Irão, Ayatollah Mojtaba Khamenei, rejeitou categoricamente propostas de mediação internacional para um cessar-fogo, exigindo que os Estados Unidos e Israel sejam “postos de joelhos” antes de qualquer negociação diplomática.
A declaração surge num momento crítico, em que Israel confirmou a eliminação de Ali Larijani, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij. Larijani era considerado a figura mais poderosa do regime desde a morte do seu pai, o anterior Líder Supremo, no início da ofensiva em Fevereiro.
Impacto Económico Global: Petróleo em Escalada
A guerra, que já entra na sua terceira semana com um balanço trágico de pelo menos 2.000 mortos, está a provocar um sismo na economia mundial. O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde circula 20% do petróleo e gás mundial — continua em vigor, resultando num aumento de 45% no preço do barril de crude desde o início das hostilidades.
Novos ataques iranianos contra infra-estruturas petrolíferas nos Emirados Árabes Unidos (EAU), especificamente no porto de Fujairah e no campo de gás de Shah, agravaram o cenário, gerando receios de uma nova crise inflacionária global.
Ofensiva e Contra-Ataque
O exército israelita mantém uma vaga de ataques aéreos sobre Teerão e alvos do Hezbollah em Beirute, com o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu a afirmar que o objectivo é “enfraquecer a liderança iraniana para permitir que o povo derrube o governo”.
Por sua vez, o Irão demonstrou que mantém capacidade de resposta a longa distância:
- Ataques em Israel: Sirenes de bombardeamento soaram em Tel Aviv e Jerusalém após o lançamento de drones e mísseis contra centros de cibertecnologia e fábricas de armamento da Rafael.
- Hostilidades no Golfo: Mais de 2.000 ataques de drones e mísseis foram registados contra bases dos EUA e portos no Golfo Pérsico.
- Vítimas Civis: Um cidadão paquistanês morreu em Abu Dhabi devido a estilhaços de um míssil interceptado, enquanto no Kuwait e Qatar foram registados danos em infra-estruturas civis.
Diplomacia Impotente
Apesar dos apelos do Presidente dos EUA, Donald Trump, para que os aliados ajudem a reabrir o Estreito de Ormuz, a União Europeia mostrou-se cautelosa. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que “ninguém está pronto para colocar o seu povo em perigo” naquela via marítima, defendendo uma solução diplomática para evitar uma crise alimentar e energética global.
Com as frentes de batalha a consolidarem-se e a liderança de Teerão a adoptar uma postura de resistência total, a paz parece cada vez mais distante, enquanto o mundo observa os efeitos devastadores nos mercados financeiros e na segurança regional.
Fonte: rn.co.mz / Radar News