Sociedade

ONU alerta para aumento de ataques armados e raptos em Cabo Delgado

PUBLICADO A 24 DE SET, 2026 | POR CHIPINDO
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O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) estimou que os incidentes associados ao conflito armado na província de Cabo Delgado registaram um incremento de 10% no primeiro semestre do ano, com um recurso crescente a sequestros para o pagamento de resgates e recrutamento forçado.

De acordo com o relatório intitulado “Moçambique: O Custo da Inação”, divulgado recentemente pela imprensa local, foram contabilizados mais de 400 incidentes nos primeiros seis meses do período em análise. Entre as ocorrências figuram homicídios, destruição de habitações, saques e raptos, com a violência a alastrar-se para distritos que anteriormente apresentavam baixa exposição ao conflito e capacidade limitada de protecção comunitária.

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Os dados recolhidos indicam que os raptos estão a ser praticados de forma sistemática para viabilizar o recrutamento forçado, abrangendo inclusivamente crianças. A situação tem agravado os riscos de separação familiar, violência baseada no género, casamento precoce e exploração sexual entre as populações afectadas.

Desde o início da insurreição armada em 2017, a região já registou mais de 6 600 mortes e a deslocação de 1,2 milhões de pessoas. Actualmente, cerca de 1,38 milhões de indivíduos enfrentam o impacto directo das deslocações na província, incluindo 662 mil deslocados internos e 722 mil residentes que regressaram às zonas de origem.

A par da deterioração da segurança, a organização alertou para uma grave crise humanitária provocada pelo défice no financiamento dos apoios. Do total de 534 milhões de dólares necessários para o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária em Moçambique, tínhamos garantidos apenas 227 milhões de dólares até Agosto, o correspondente a 43% do valor requerido.

Como consequência da escassez de verbas, sectores fulcrais como logística, educação e nutrição continuam fortemente desprovidos. Em vários distritos com maior vulnerabilidade, a assistência alimentar passou a ser distribuída apenas de dois em dois meses, cobrindo somente 39% das necessidades calóricas mínimas da população.

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