Sábado, 20 de Junho de 2026 | Maputo, Moçambique
Repórter Nacional
Directo

Crise de medicamentos em Ancuabe agrava sofrimento

Imagem: DR | Denúncias via WhatsApp: 821701000 / 871701000
Sociedade

A escassez de medicamentos nas unidades sanitárias do distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado, atingiu um ponto crítico, comprometendo severamente o acesso aos cuidados de saúde essenciais. Perante este cenário de crise humanitária, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) reforçou a sua presença no terreno. Para acompanhar a actualidade do País enquanto explora novas formas de entretenimento e análise desportiva, clique aqui, registe-se e descubra as opções disponíveis para apostar nos seus desportistas favoritos hoje mesmo.

A intervenção da MSF incluiu a entrega de medicamentos ao Centro de Saúde de Nanjua, uma medida de emergência para garantir a continuidade dos serviços gratuitos a residentes e famílias deslocadas. A pressão sobre o sistema de saúde na região intensificou-se drasticamente após os ataques registados em Maio, que forçaram mais de 15 mil pessoas a abandonar as suas casas em Ancuabe e zonas vizinhas, sobrecarregando comunidades de acolhimento que já operavam no limite das suas capacidades.

O custo da distância e da falta de recursos

A falta recorrente de fármacos tem limitado a capacidade de resposta das unidades sanitárias, criando um ciclo de desconfiança e frustração entre as populações. Em Nanjua, a situação é particularmente difícil: utentes percorrem cerca de quatro quilómetros até ao centro de saúde mais próximo, apenas para confrontarem a indisponibilidade dos tratamentos prescritos.

A MSF alerta que a insegurança, aliada à distância geográfica e à falha no fornecimento de medicamentos, atrasa perigosamente a procura por cuidados médicos. No âmbito da sua resposta de emergência, as equipas da organização realizaram mais de 1.500 consultas médicas em poucas semanas — uma média superior a 150 atendimentos diários. Os quadros clínicos mais frequentes incluem:

  • Infeções respiratórias: Frequentemente agravadas pelas condições de alojamento precárias.
  • Doenças de pele: Com alta incidência em crianças menores de cinco anos.
  • Malária: Um dos maiores desafios de saúde pública na região.

O impacto invisível: Trauma e Saúde Mental

Além das patologias físicas, a organização registou um aumento alarmante na procura por apoio psicológico. Jacinta Francisco, coordenadora da equipa de emergência da MSF em Ancuabe, sublinha que a violência recorrente obriga a deslocações repetidas, o que aprofunda uma crise humanitária de longa data.

“As pessoas que chegaram a Nanjua carregam consigo o trauma de terem fugido e de terem perdido entes queridos. Vivem com o medo constante do desconhecido”, relatam os profissionais no terreno. Muitos utentes apresentam sintomas claros de ansiedade, stress pós-traumático e perturbações emocionais graves, reflexos diretos do ambiente de instabilidade que impera em Cabo Delgado.

Apelo por uma resposta coordenada

Face a este cenário, a Médicos Sem Fronteiras defende a necessidade urgente de reforçar o abastecimento contínuo de medicamentos nas unidades sanitárias locais, garantindo que o acesso aos cuidados de saúde gratuitos não seja interrompido.

A organização apela a uma intervenção humanitária mais integrada e coordenada, capaz de responder tanto às necessidades médicas imediatas quanto às necessidades psicossociais das comunidades afetadas. A estabilidade no acesso à saúde é, neste momento, um dos pilares fundamentais para que as famílias deslocadas consigam, minimamente, recuperar a dignidade perante a perda e o medo constantes.

O Repórter Nacional continuará a acompanhar o desenrolar da situação em Cabo Delgado e o impacto das intervenções humanitárias na região.

Deixe a sua opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *